O crédito rural destinado ao custeio da produção caiu 30,3% em Mato Grosso do Sul nos três primeiros meses da safra 2026/2027. Entre julho e setembro de 2026, foram contratados R$ 2,16 bilhões nessa modalidade, ante R$ 3,10 bilhões no mesmo período do ciclo anterior, segundo dados do Banco Central analisados pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS).

O custeio rural financia despesas necessárias à atividade agropecuária, como a compra de sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas. A queda nas contratações ocorre no início de mais um ciclo produtivo, período em que os produtores precisam organizar os recursos para implantação e manejo das lavouras.

No total, Mato Grosso do Sul contratou R$ 3,26 bilhões em crédito rural entre julho e setembro, redução de 26,2% em relação aos R$ 4,42 bilhões registrados no mesmo intervalo da safra 2025/2026.

Os números integram o Boletim de Crédito Rural de setembro de 2026, elaborado pela equipe econômica da Aprosoja/MS para acompanhar a evolução dos financiamentos no Estado e no país.

Contratações recuam em setembro

Somente em setembro, as contratações de crédito rural em Mato Grosso do Sul somaram R$ 973,4 milhões. O resultado representa queda de 18,5% em relação a agosto e de 40,1% na comparação com setembro de 2025.

A retração também atingiu as linhas destinadas a investimentos. No acumulado de julho a setembro, os recursos contratados nessa modalidade passaram de R$ 963,7 milhões na safra anterior para R$ 608,5 milhões na atual, recuo de 36,9%.

Na contramão das demais modalidades, o crédito para comercialização cresceu 130% no período, passando de R$ 191,5 milhões para R$ 440,4 milhões. Conforme o boletim, grande parte desse volume foi contratada em julho.

A redução dos financiamentos também foi observada no cenário nacional. Entre julho e setembro, o crédito rural brasileiro somou R$ 84,8 bilhões, queda de 25,3% em relação ao mesmo período da safra anterior.

“A redução das contratações acompanha um movimento observado em todo o país. Entre julho e setembro, o crédito rural brasileiro somou R$ 84,8 bilhões, queda de 25,3% em relação ao mesmo período da safra anterior”, avalia o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes.

Plano Safra e distribuição dos recursos

O boletim destaca que, apesar de o Plano Safra 2026/2027 ter anunciado orçamento de R$ 622,4 bilhões e redução de juros em diversas linhas, o volume efetivamente contratado continua em queda.

“O cenário exige atenção à evolução do financiamento rural ao longo do ciclo, especialmente nas modalidades destinadas ao custeio e aos investimentos, que contribuem para financiar as despesas de produção e a estrutura das propriedades”, afirma Gimenes.

Em Mato Grosso do Sul, os bancos públicos responderam por 57,2% do crédito rural contratado nos últimos 12 meses. As cooperativas de crédito representaram 22,6% do total, enquanto os bancos privados concentraram 20,2%.

Os dados indicam que o financiamento destinado ao custeio e aos investimentos começou a safra com retração, em um período importante para a organização financeira dos produtores e a preparação das atividades agropecuárias.

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