Eleições OAB/MS: bastidores do debate.

Penso que a grande maioria dos advogados assistiu o debate da CBN com os 3 candidatos à Presidência da OAB.

O ponto central das discussões ficou sobre o atual encastelamento da OAB e do distanciamento dela em relação aos advogados.

Um pequeno grupo de amigos, que resolve tudo na amizade, com beijos e tapinhas nas costas, abandonou a advocacia.

A situação é tão grave que mesmo os problemas gravíssimos que a advocacia enfrenta, com a morosidade do Poder Judiciário, crise pós pandemia e valor absurdo e impeditivo das custas processuais e extrajudiciais, não são tratados pela OAB. Afinal, não podem os dirigentes se indispor com o Poder.

Mas a questão está tomando rumos tão graves, que chegamos a questionar se a OAB tem Presidente ou Rei.

Pedimos informações sobre os gastos da OAB e da Caixa com a publicidade e recebemos a ameaça de representação (evidente, queria esconder que gastou 1.300.000,00 com publicidade na Pandemia).

Cada advogado que manifesta apoio à oposição recebe no dia seguinte, de dois sites, uma fake news.

E hoje vimos o pior acontecer: O Presidente da Ordem foi ao debate acompanhando seu candidato.

Pasmem: dentro de um ambiente super democrático, considerando o quarto poder, que é a imprensa, usou vergonhosamente de técnicas de intimidação que não se vê há muitos anos.

Ficou numa sala com parede de vidro, voltado para o público externo, com um suposto caderno contendo um suposto DOSSIÊ, em evidente técnica de intimidação.

Como Presidente da Instituição, em tese, mais democrática que existe, defensora da cidadania, da democracia e das liberdades individuais, ele poderia agir assim?

O Presidente da Ordem pode usar desse expediente?

Para eleger seu escolhido ELE PODE TUDO?

O que poderia ter na suposta pasta DOSSIÊ? Algo grave? Como autoridade ele tinha a obrigação de expor para não prevaricar. Se nada tinha e era um mero papel vazio, ele quis apenas intimidar as duas outras candidatas mulheres?

Porque são mulheres?

Será que o vício do poder cega?

O fato é gravíssimo e merece o profundo repúdio da advocacia nacional.

No passado já vimos acontecer do poder alçar os dirigentes a uma arrogância ilimitada a ponto de mostrar um “dedo” para seus opositores, em público. Agora parece que o Presidente foi mais longe: quis calar as candidatas de oposição em benefício do seu ungido, sob a suposta ameaça de que tinha contra elas um DOSSIÊ. O mundo moderno não aceita mais essas práticas.

Com tristeza, Carlos Marques, Ex-Presidente da OAB/MS.

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