Preço da arroba do boi gordo reage com alta generalizada do chamado "Boi China"
Com limite de exportação sem tarifa adicional, mercado reage com alta generalizada do chamado Boi China nas praças pecuárias; Mato Grosso lidera valorização e Espírito Santo tem menor avanço, aponta Scot Consultoria.
A entrada em vigor da salvaguarda chinesa sobre a carne bovina brasileira, desde 1º de janeiro, já redesenha o comportamento do mercado pecuário em 2026. A medida, que limita a exportação a 1,1 milhão de toneladas sem a incidência adicional de 55% em tarifas, provocou uma reação imediata nas cotações da arroba do chamado “boi China”, categoria destinada ao exigente mercado asiático.
Levantamento da Scot Consultoria mostra que, entre janeiro e abril, todas as principais praças pecuárias do país registraram valorização, evidenciando um movimento consistente de alta impulsionado pela disputa por animais padrão exportação.
Mato Grosso lidera alta do boi China e confirma força no mercado exportador
O destaque absoluto foi o estado de Mato Grosso, que apresentou valorização de 19,5% no período, seguido de perto por Rondônia (19,2%). Esses números refletem não apenas a forte presença exportadora dessas regiões, mas também a maior competitividade logística e disponibilidade de animais aptos ao mercado chinês.
- Tocantins: 15,4%
- Pará (Redenção e Marabá): 15,3%
- Mato Grosso do Sul: 14,8%
- Pará (Paragominas): 13,8%
- São Paulo: 13,6% Goiás: 13,0%
Esses dados reforçam que a valorização não foi pontual, mas sim um movimento nacional, puxado principalmente pela demanda externa e pela busca por animais jovens, bem acabados e dentro dos padrões exigidos pela China.
Sudeste e Sul registram altas mais moderadas
Embora também tenham apresentado avanço, algumas regiões tiveram desempenho mais contido. É o caso de:
- Minas Gerais (exceto Sul): 10,5%
- Paraná: 8,7%
- Espírito Santo: 5,6%
A menor variação no Espírito Santo indica um mercado menos pressionado pela exportação direta ou com menor participação no fluxo do boi China, o que reduz o impacto imediato da demanda internacional sobre os preços locais.
Cota chinesa avança rapidamente e pressiona mercado
Outro ponto de atenção é o ritmo acelerado de preenchimento da cota estabelecida pela China. Segundo os dados, até o fim de março, 46,3% do volume permitido já havia sido utilizado.
Para abril, a projeção é ainda mais agressiva: o preenchimento pode atingir 64,9%, considerando as 205,5 mil toneladas embarcadas entre fevereiro e março e ainda em trânsito para o país asiático.
Esse avanço rápido acende um alerta importante: quanto mais próxima do limite a cota estiver, maior tende a ser a disputa por animais padrão exportação, especialmente por parte dos frigoríficos habilitados para a China.















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