Indústria de fertilizantes no Brasil vê impulso com preços e plano do governo
A promessa do governo brasileiro de lançar ainda neste mês um aguardado Plano Nacional de Fertilizantes renovou esperanças do setor, que vê possibilidade de aumento de produção local, cujo desenvolvimento tem sido afetado por ambiente pouco atrativo para investimentos apesar da forte demanda nacional por adubos, segundo associações ouvidas pela Reuters.
O governo já vinha elaborando medidas para reduzir a grande dependência externa de fertilizantes, mas o tema ganhou destaque depois de a Rússia --maior fornecedor para o Brasil-- iniciar ataques contra a Ucrânia e levantar temores de desabastecimento.
O Brasil importa cerca de 85% do seu consumo de fertilizantes, incluindo potássio, que enfrenta um "gargalo" maior em função do conflito e de sanções ocidentais que já estavam em curso contra Belarus, outro importante produtor. No caso dos potássicos, as compras externas do país somam 96% do consumo.
"Espero que o plano nacional impulsione o setor. É algo necessário. O governo está consciente disso. Ele já trata desse assunto há muito tempo", disse diretor de Sustentabilidade e Assuntos Regulatórios do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Julio Nery.
O diretor destacou esperar que o plano ataque gargalos ligados a mapeamento geológico, financiamento de pequenas e médias mineradoras, eficiência de licenciamento ambiental de jazidas, questões tributárias e desenvolvimento de tecnologias.
O Brasil tem hoje a única mina subterrânea convencional de potássio do Hemisfério Sul, no Complexo Mineroquímico Taquari-Vassouras, em Rosário do Catete (SE), que conta também com uma planta de beneficiamento, segundo dados da proprietária Mosaic Fertilizantes. A capacidade do empreendimento é de 400 mil toneladas de cloreto de potássio por ano.
Mas a ausência de outros empreendimentos no país não é por falta de potencial geológico, disse Nery à Reuters.
Ele ressaltou que há grandes expectativas com o projeto conhecido em Autazes, na Amazônia, que enfrenta dificuldades para a obtenção de licença ambiental, além de outros diversos depósitos com bons indícios, mas que ainda demandam pesquisa mineral.
O projeto citado por Nery, da Potássio do Brasil, poderia produzir 2,4 milhões de toneladas da matéria-prima de fertilizante anualmente, mas enfrenta questões ambientais e dificuldades judiciais por estar perto de terras indígenas.
Outras iniciativas também já estão em curso no Brasil, apesar do setor ver a necessidade de mudanças no ambiente regulatório para que haja mais investimentos.















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