As belezas naturais de Bonito em Mato Grosso do Sul, fazem jus ao nome do município, são rios com águas cristalinas, cachoeiras, grutas, cavernas e cenários paradisíacos que atraem turistas de todas as parte do país e também do mundo afora. A cidade é considerada a capital brasileira do ecoturismo, mas nos últimos dias o que tem chamado a atenção é o turvamento das águas que encantam à todos e o assoreamento dos rios.

Em regiões próximas aos rios o desmatamento tem sido cada vez mais evidente, com as chuvas muitas vezes resíduos orgânicos e agrotóxicos entram em contato com as águas cristalinas, comprometendo a qualidade da água. O presidente da Associação de Engenharia Sanitária e Ambiental de Mato Grosso do Sul, Aroldo Ferreira Galvão, acredita que várias medidas precisam ser tomadas para evitar que haja um dano maior. “É precioso atacar as causas que estão lá em cima. Em Bonito, os cenários ambientais que são vendidos como cartões de visita nacional e internacional estão comprometidos devido ao avanço do agronegócio” pontua.


O presidente falou ainda dos danos do aumento de produtividade no local. “ O plantio do milho e soja vem avançando e não foram tomadas as medidas necessárias, do ponto de vista ambiental, para evitar que a água que bate na terra chamada nua, sem vegetação, leve sedimento para o Rio Formoso e da Prata” explicou. Ele destacou ainda que o viés econômico de Bonito é o turismo, através das águas cristalinas de todos os rios da região.
Segundo ele, não se teve um cuidado em preparar a região na hora de explorar o agronegócio. “Não se tomou de preparar os terrenos para plantar. Nós (ambientalistas e sanitaristas) não somos contra o agronegócio, pelo contrário sabemos que ele está segurando a economia, tem um papel importante a nível nacional, o que não pode é o agronegócio comprometer a vida e comprometer esses cenários ambientais que nós temos no Mato Grosso do Sul”, destacou.


Para Aroldo é necessário ficar atentos aos sinais do impacto que esse assoreamento pode trazer a longo prazo, já que se a beleza do local estiver comprometida, a possibilidade é que o turismo deixe de existir no local. “O grande produto é a limpeza das águas e se isso tiver comprometido, acabou o turismo, esse é o raciocínio. Então, o que tem que ser feito, a legislação ambiental se mostrou inepta para poder combater o assoreamento decorrente da atividade agrícola, que é importante, mas precisa de técnica. O que queremos chamar atenção é que, seja no Lago no Parque das Nações ou em Bonito, existem técnicas e tecnologia capazes de reverter e prevenir novos problemas. Se fizer tudo dentro da técnica e da tecnologia, prevista em legislação, nada disso vai acontecer” comentou.


O ambientalista acredita que é preciso valorizar e cuidar dessas belezas naturais para as próximas gerações. “Essas belezas naturais são de um valor, os cenários ambientais de Bonito tem um valor imensurável. É um legado que recebemos de geração passada e que nós temos que passar para gerações futuras”, finaliza.

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