Na última sexta-feira (9), a comunidade quilombola Furnas do Dionísio, a cerca de 35 km de Campo Grande, recebeu, da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), o Selo da Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf), destinado aos produtos produzidos pelos moradores. As ações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro) e da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) junto aos produtores permitiu o desenvolvimento das ações.

 

A comunidade conta com 96 famílias que têm nas atividades agrícolas traço importante de identidade que preserva um pouco da sua ancestralidade com Dionísio Antônio Vieira, mineiro que fundou a comunidade após a abolição da escravatura.

 

A partir de agora as hortaliças, mandioca e a rapadura da comunidade já podem ter Sipaf estampados em suas embalagens. “Só tenho a agradecer as famílias daqui e as entidades apoiadoras na conquista do selo. É uma coisa que representa muito para a gente porque vai agregar mais valor ao nosso trabalho. O selo é uma reafirmação da qualidade dos nossos produtos que já são bem conhecidos”, afirmou o presidente da Associação de Pequenos Produtores Rurais da Comunidade, Adriano Silva.

 

A certificação tem validade de cinco anos, podendo ser renovada. É concedido às empresas e cooperativas, portadoras ou não de DAP – Declaração de Aptidão ao Pronaf, e a agricultores familiares, desde que portadores de DAP, para identificar produtos como verduras, legumes, polpas de frutas e laticínios, etc.

 

“A Agraer tem uma relação de muitos anos com a comunidade. Lembro-me de quando fizemos a os levantamentos topográficos para que a Furnas fosse reconhecida como comunidade remanescente de quilombo pela Fundação Palmares. Espero que o selo beneficie ainda mais a população local e a Agraer continua aqui com a assistência técnica e prestação de outros serviços”, destacou o diretor-presidente da Agraer, André Nogueira.

 

O selo é uma estratégia criada pela SEPPIR para identificar produtos oriundos de Comunidades Quilombolas, como verduras, legumes, polpas de frutas, laticínios e artesanato. “O Sipaf é o que a gente precisava para dar entrada com o pedido desse outro selo”, disse o agricultor familiar Adriano Silva.

 

Tanto o Sipaf como o Selo Quilombos do Brasil associam aos produtos contemplados valores cada vez mais exigidos pelos consumidores e que de fato fazem parte de suas práticas, como sustentabilidade, responsabilidade socioambiental, valorização da cultura local e da produção regional. Já para a clientela, fica assegurado o direito de conhecer a origem do bem adquirido.

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