Produção de milho safrinha deve cair mais de 30% em MS e PR
A produção de milho segunda safra deve ter redução de mais de 30% em Mato Grosso do Sul e Paraná, dois dos principais fornecedores do grão no país. O motivo é a seca de mais de 40 dias em algumas regiões. “Não tem lavoura que aguente 40 dias, vai quebrar a produtividade”, afirma André Pessôa, sócio diretor da Agroconsult.
O Paraná deve ter a maior quebra na safrinha, com recuo de 36% na produção, de 13,1 milhões de toneladas para 8,5 milhões de toneladas. A produtividade deve ficar em torno de 64 sacas/hectare ante 91 sc/ha em 2016/2017 e menor também do que o ciclo 2015/2016 (85 sc/ha). O atraso na soja comprometeu o calendário de milho no Estado, retardando a implantação das lavouras. Além da seca, algumas áreas também sofreram com ventos fortes, que causaram tombamento. “Isso também é reflexo de um início ruim das lavouras, porque se tivessem tido bom desenvolvimento radicular não teriam sofrido tanto com os ventos”, afirma André Debastiani, sócio-analista da Agroconsult e coordenador do Rally. De acordo com a consultoria, os números podem ser ainda menores, pois a situação de algumas lavouras plantadas em abril ainda não está definida e parte delas pode nem ser colhida ou sofrer maiores perdas pelo frio ou falta de chuvas.
O cenário é parecido em Mato Grosso do Sul, que deve colher 6,5 milhões de toneladas de milho ante 9,6 milhões de t em 2016/2017. Além da seca, a redução de investimento – similar ao caso do Paraná -, o plantio fora da janela e o ataque de pragas (lagartas do cartucho e da espiga) em algumas áreas resultaram em queda de produtividade de 91 sc/ha em 2016/2017 para 63,5 sc/ha em 2017/2018. “E isso graças ao bom desenvolvimento no norte do Estado. Mas ainda é uma safrinha ruim”, explica Pessôa.
Os destaques positivos ficam com Mato Grosso e Goiás. Apesar de uma redução na produção (em parte pelo recuo na área plantada e menor nível de investimento), os Estados tiveram bons níveis de produtividade. Em Mato Grosso, a média é de 99 sc/ha, dez a menos do que em 2016/2017. “O leste e o sudeste do Estado, assim como MS e PR, sofreram com a seca, mas as chuvas de maio evitaram perdas. E no oeste o desenvolvimento foi até melhor do que na safra passada”, diz Pessôa. A produção está estimada em 26,6 milhões de toneladas, queda de 10%.
Apesar do atraso expressivo para o início do plantio de milho em Goiás, quase toda a área foi implantada dentro da janela ideal. Com isso, a expectativa é de uma produtividade de 88 sc/ha (o número foi de 100 sc/ha na temporada anterior) e produção de 6,5 milhões de toneladas, recuo de 14%. “Goiás nos surpreendeu, porque fomos para o campo esperando 70, 75 sc/ha. Mas a capacidade de plantio, por conta da disponibilidade de maquinário, foi o diferencial no Estado”, conta Pessôa.
Brasil
No total, a Agroconsult espera que a produção de milho safrinha chegue a 55,2 milhões de toneladas, 19% abaixo das 69,3 milhões de toneladas de 2017/2018. Para a consultoria, quatro fatores explicam a queda acentuada: redução de 3% na área plantada (no Paraná, a redução alcançou 11%); atraso no plantio por conta do ciclo alongado da soja; redução no nível de tecnologia; e seca de mais de 40 dias em MS e PR. “A quebra só não foi maior porque MT e GO surpreenderam positivamente”, diz o sócio diretor da empresa. Considerando a safra de verão, o total deve ser de 82 milhões de toneladas contra 99 milhões de toneladas em 2016/2017.
Em relação aos preços, Pessôa acredita que, caso não ocorram grandes mudanças, eles devem permanecer em patamares elevados no segundo semestre, com pressão de baixa mais focada neste início de colheita de safrinha. O consumo, porém, pode ser um determinante negativo, já que os setores de proteína animal têm enfrentado problemas em 2018 e não devem aumentar as compras. Por outro lado, o volume destinado ao etanol de milho deve crescer. Com isso, a rentabilidade dos produtores de MT e GO tende a ser boa, mesmo com a redução de produção. Com a quebra maior em MS e PR, a situação dos agricultores locais pode ser mais complicada.
O Rally da Safra 2018 coletou amostras em 405 lavouras nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná.














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