Pressão dos frigoríficos, cautela nas compras e incertezas envolvendo a China ampliam movimento de baixa no mercado do boi gordo e acendem sinal de atenção para pecuaristas. O mercado do boi gordo começou esta semana trazendo um sinal que não passou despercebido dentro da pecuária brasileira: a arroba voltou a registrar queda em importantes praças do país, enquanto o mercado futuro da B3 reforça um cenário crescente de pessimismo entre produtores e agentes do setor.

Depois de semanas sustentadas por exportações aquecidas e escalas relativamente curtas, o setor passou a conviver com um novo fator de pressão: a aproximação do limite da cota anual de exportação de carne bovina brasileira destinada à China, movimento que já vem alterando o comportamento dos frigoríficos e mudando completamente a dinâmica das negociações no mercado físico.

Segundo análises recentes da Scot Consultoria, Agrifatto e Safras & Mercado, o mercado iniciou uma fase mais cautelosa, com indústrias testando preços menores e reduzindo o ritmo das compras em diversas regiões brasileiras.

Arroba recua em São Paulo e pressão se espalha pelo país

Levantamento da Scot Consultoria apontou uma queda de R$ 3 por arroba em São Paulo, principal praça de referência nacional. Os novos valores ficaram em:

  • Boi comum: R$ 345/@
  • Boi China: R$ 350/@

A retração não ficou restrita ao mercado paulista. Outras regiões também registraram ajustes negativos, refletindo um movimento coordenado por parte das indústrias frigoríficas, que passaram a atuar com maior cautela nas negociações.

Mercado futuro da B3 amplia sentimento negativo

No mercado futuro, o movimento reforçou ainda mais o pessimismo.

De acordo com levantamento da Agrifatto, todos os contratos futuros do boi gordo negociados na B3 encerraram a última semana em baixa, especialmente os vencimentos de curto prazo.

Os principais contratos fecharam em:

  • Junho/26: R$ 341,70/@ (-1,48%)
  • Julho/26: R$ 333,15/@ (-1,19%)
  • Setembro/26: R$ 338,55/@ (-0,22%)

O comportamento da bolsa indica que o mercado já começa a precificar um ambiente de maior dificuldade para sustentação dos preços nas próximas semanas.


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