Oferta elevada faz preço da arroba do boi gordo cair em algumas regiões neste fim de junho
A combinação entre oferta elevada, escalas de abate alongadas e consumo interno ainda tímido pressionam as cotações em diversas regiões do país. Apesar do cenário de curto prazo preocupante, analistas veem espaço para recuperação nos próximos meses.
O mercado do boi gordo iniciou a semana sob forte pressão e voltou a preocupar produtores em todo o Brasil. A combinação entre oferta elevada de animais terminados, frigoríficos confortáveis nas escalas de abate e demanda doméstica ainda enfraquecida provocou novas quedas nas cotações da arroba, reforçando um ambiente de cautela para a pecuária de corte.
De acordo com informações da Agrifatto Consultoria, o mercado físico fechou a segunda-feira com desvalorização na maioria das praças acompanhadas. Rondônia registrou o maior recuo do dia, com queda de 1,42%, encerrando a arroba em média a R$ 318,58.
Na bolsa, o comportamento também foi negativo. O contrato futuro do boi gordo com vencimento em junho de 2026 encerrou o pregão cotado a R$ 338,60 por arroba, representando baixa diária de 0,24%.
Segundo a Agrifatto, o principal fator que mantém a pressão sobre os preços é o aumento da disponibilidade de animais para abate. Com escalas confortáveis, a indústria reduziu o ritmo das compras e passou a negociar com maior poder de barganha, levando muitos pecuaristas a aceitarem valores menores para garantir a comercialização dos lotes.
Outro fator que limita uma recuperação mais consistente é o comportamento do consumo interno. Mesmo com temperaturas mais baixas em diversas regiões — período tradicionalmente favorável ao consumo de carne bovina —, o movimento no atacado permaneceu abaixo do esperado durante o fim de semana.
A expectativa do mercado é que a entrada dos salários no início de julho contribua para melhorar a demanda e gere maior giro no atacado, sustentando os preços da carne. Até que isso aconteça, entretanto, o cenário segue predominantemente baixista.
Nem tudo é notícia ruim
Apesar do momento delicado, especialistas acreditam que o atual cenário pode não se prolongar durante o segundo semestre. Entre os fatores positivos estão a expectativa de melhora do consumo interno, possível redução da oferta de animais confinados ao longo dos próximos meses e o bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.
Esse conjunto de fatores faz parte das projeções que indicam uma possível recuperação dos preços da arroba, com algumas análises apontando potencial para que o boi gordo volte a negociar acima dos R$ 360 por arroba nos próximos meses, caso haja redução da oferta e manutenção da forte demanda internacional.














0 Comentários