A distribuição irregular das chuvas tem influenciado o desenvolvimento das lavouras e o andamento da semeadura da safra 2026/2027 em diferentes regiões do país. Em Mato Grosso e Goiás, a recuperação da umidade do solo favoreceu o avanço do plantio da soja. Já em Mato Grosso do Sul, o excesso de umidade levou à suspensão temporária dos trabalhos na maior parte das regiões produtoras.

As informações constam no Boletim de Monitoramento Agrícola de outubro, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na sexta-feira (23). O levantamento analisa as condições climáticas e o desenvolvimento das lavouras entre os dias 1º e 21 de outubro, com dados dos cultivos de inverno da safra 2025/2026 e das culturas de verão da safra 2026/2027.

De acordo com a Conab, os indicadores de vegetação estão acima da média histórica em todas as regiões monitoradas, sinalizando condições favoráveis no início da safra. Na comparação com o ciclo anterior, os índices também estão acima dos registrados no sul de Goiás e no sudoeste de Mato Grosso do Sul. No norte de Mato Grosso e no oeste do Paraná, os indicadores permanecem próximos aos do período anterior.

Apesar dos resultados positivos em algumas áreas, o excesso de chuvas também impôs dificuldades às operações agrícolas. No Sul, a umidade elevada prejudicou lavouras de inverno e a qualidade dos grãos de trigo. Em parte das regiões Norte e Nordeste, a baixa precipitação dificultou o avanço da semeadura da soja.

Soja avança em Mato Grosso, mas plantio é interrompido em MS

Em Mato Grosso, a semeadura da soja já ultrapassou 60% da área prevista. Os produtores aproveitaram as condições favoráveis de umidade do solo para intensificar os trabalhos em todas as macrorregiões do Estado.

No Paraná, o plantio também avança, e a maior parte das lavouras implantadas apresenta bom desenvolvimento. Entretanto, o excesso de umidade pode provocar falhas na germinação, favorecer o surgimento de plantas invasoras e aumentar a ocorrência de pragas e doenças.

Em Goiás, o ritmo da semeadura varia conforme a região. No sudoeste, os trabalhos avançam com o solo úmido, e a expectativa é de conclusão ainda em outubro. No sul, enquanto alguns municípios intensificaram as operações, outros interromperam temporariamente o plantio devido à rápida perda de umidade após o revolvimento do solo. Nas regiões leste, oeste e norte, a semeadura em áreas de sequeiro ainda é pouco expressiva, com os trabalhos concentrados nas áreas irrigadas.

Em Mato Grosso do Sul, a elevada umidade do solo provocou a suspensão temporária da semeadura na maior parte das regiões produtoras. A exceção fica por conta das regiões norte e nordeste, onde chuvas esparsas permitiram a continuidade dos trabalhos.

No Rio Grande do Sul, os produtores aguardam a redução do encharcamento do solo e períodos sem chuva para intensificar o plantio. Em Minas Gerais, a semeadura avança nas áreas de sequeiro. Já em São Paulo, o excesso de umidade dificulta o acesso às lavouras e a circulação de máquinas, limitando o avanço das operações.

Excesso de chuva prejudica qualidade do trigo

Na safra de inverno 2025/2026, as chuvas comprometeram a qualidade do trigo em São Paulo e no Paraná. No território paulista, onde a colheita está em fase de finalização, grande parte dos grãos colhidos apresenta qualidade inferior ao padrão esperado pela indústria de moagem.

No Paraná, a qualidade também foi afetada, com peso hectolítrico (PH) abaixo do esperado. A colheita alcançou 75% da área plantada.

No Rio Grande do Sul, o avanço da colheita é lento devido ao volume elevado de chuvas e à menor radiação solar. A maioria das lavouras está nas fases de enchimento de grãos e maturação, períodos em que as condições climáticas podem favorecer doenças nas espigas.

Em Santa Catarina, a sequência de períodos chuvosos aumenta a preocupação com doenças fúngicas, como giberela, ferrugens, oídio e manchas foliares, principalmente nas áreas mais precoces.

Em Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, a colheita do trigo já foi concluída.

Plantio de arroz enfrenta dificuldades no Sul

A semeadura do arroz também é afetada pelas condições climáticas. No Rio Grande do Sul, aproximadamente 40% da área prevista havia sido plantada até a primeira quinzena de outubro. Os volumes elevados de chuva e o excesso de umidade do solo dificultam as operações no campo e prejudicam o desenvolvimento inicial das lavouras.

Em Santa Catarina, segundo maior produtor nacional de arroz, atrás apenas do Rio Grande do Sul, o plantio havia ultrapassado metade da área prevista no mesmo período. Apesar do avanço, as condições recentes têm dificultado a semeadura e o desenvolvimento vegetativo das plantas recém-implantadas.

No Maranhão e no Pará, o cultivo começou nas áreas irrigadas. Nas áreas de sequeiro, a semeadura está prevista para novembro e dezembro, quando se espera maior regularidade das chuvas.

Milho tem avanço desigual entre os estados

Na primeira safra de milho 2026/2027, a semeadura está em diferentes estágios nos principais estados produtores.

No Paraná, o plantio está próximo da conclusão, e as lavouras se encontram em desenvolvimento vegetativo. Chuvas acompanhadas de granizo e vendavais provocaram desfolhamento em áreas pontuais e favoreceram a ocorrência de pragas, como lagartas e tripes.

Em Goiás, o ritmo varia entre as regiões, com destaque para o leste do Estado, onde alguns municípios já semearam entre 50% e 70% da área prevista.

Em Minas Gerais, o plantio avança de forma lenta e gradual. No Rio Grande do Sul, mais de 80% da área prevista já havia sido semeada. No Estado, a combinação de nebulosidade persistente, temperaturas amenas e alta umidade do ar aumenta a pressão de doenças, especialmente nas lavouras em estádios mais avançados ou atingidas por granizo.

Monitoramento acompanha clima e desenvolvimento das lavouras

O Boletim de Monitoramento Agrícola é elaborado em parceria pela Conab, pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam).

O acompanhamento reúne informações meteorológicas, indicadores de vegetação e avaliações do desenvolvimento das culturas para analisar os efeitos das condições climáticas sobre a produção agrícola brasileira.

A edição de outubro, com mapas, gráficos, imagens de satélite e análises detalhadas das lavouras, está disponível no portal da Conab.

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