Giroto: Depois de 384 dias preso ex-secretário de obras concede entrevista e rebate acusações
O ex-deputado federal e ex-secretário de Obras de Mato Grosso do Sul, Edson Giroto, concedeu entrevista após 384 dias preso, ele fala depois de mais de 12 meses em regime fechado. Na tarde desta terça-feira (28) ele passou por mais uma audiência na 3ª Vara da Justiça Federal sobre ação da Operação Lama Asfáltica, que segundo investigações apontou esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Os advogados de Giroto, confirmaram que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região concedeu habeas corpus ao ex-secretário, a expectativa é que ele seja colocado em liberdade em até 24h.
Em entrevista, Giroto disse que paga um preço muito alto para quem fez tanto pelo estado de Mato Grosso do Sul. “ Eu trabalhava sem parar e dormia três horas por dia, esforço que não valeu a pena", reclama o ex-secretário ao contar que também conhece todo o Estado, já que percorreu de carro 100% das regiões. Edson Giroto comentou sobre as eleições para Prefeitura Municipal de Campo Grande em 2012, segundo ele “uma de suas maiores frustrações”, ao ser derrotado por Alcides Bernal (PP).
Sobre as denúncias que envolvem seu nome e o de sua família, o ex-secretário se defende. Ele começa pela MS-430, com indícios de irregularidades na licitação. Giroto fala que apenas ocorreu uma alteração na execução do projeto original. “ Nós tivemos de mudar a estaca e o Miglioli [Marcelo Miglioli, que assumiu a secretaria em 2015] mandou o projeto original para a Polícia Federal”, que foi induzida ao erro, acusa o ex-secretário, afirmando que foi seu sucessor na pasta quem enviou relatórios sobre "falsas" irregularidades.
Já em relação a sua mansão no Residencial Damha, o ex-secretário confirma a compra de dois terrenos, mas disse que vendeu um deles para uma pessoa cujo apelido é “Lito” e que o pagamento teria sido feito em 12 parcelas de 100 mil reais. Giroto afirma ainda que chegou a pedir um empréstimo na Caixa Economica Federal para aplicar na construção de sua casa também no local, o empréstimo segundo ele foi de R$ 1,05 milhão. Em relação ao depósito de R$1,7 milhão na conta de sua esposa, ele afirma que seria valor recebido da vendo de um apartamento, na época valorizado em função da Copa do Mundo de 2014.
“Se somar o valor é apontado como propina, mas não sou mentiroso, meu erro foi não ter declarado à Receita Federal. O meu receio era ter de pagar um valor alto à título de imposto”, afirmou. Apesar disso, o ex-secretário afirma que tem todas as notas fiscais de construção e documentos, reunidos porque pensava em disputar a eleição de 2012. Segundo Giroto ele se sente injustiçado e disse que analisa uma possível situação para fazer uma delação premiada.
Na prisão Giroto disse que se tornou o cozinheiro da cela e reclama da falta de estrutura. “A situação é insuportável, não tem ventilação, não tem janelas. A vida na cela é muito difícil, é um ambiente insalubre”, disse. Para preencher o tempo o ex-secretário afirma que lê bastante e que agora está na trilogia “Uma Breve História da Humanidade – Sapiens. Para Giroto o sistema carcerário não reabilita. “É mentira, quem fala isso, não sabe o que diz”, finalizou.















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