Tecnologia criada por pesquisadores da UFMS identifica falhas na colheita de cana-de-açúcar e detecta plantas daninhas na soja
Falhas na colheita e aplicações imprecisas de insumos
químicos são alguns dos principais problemas do agronegócio, podendo
comprometer significativamente a produtividade e elevar os gastos.
Atentos a isso, pesquisadores da Universidade Federal de
Mato Grosso do Sul (UFMS) desenvolveram uma tecnologia capaz de mapear com
precisão áreas de cana-de-açúcar e soja, identificando locais onde a colheita
já pode ser realizada, o replantio é necessário e onde há presença de plantas
daninhas.
O processo, explica José Marcato Junior, professor da
Faculdade de Engenharias, Arquitetura, Urbanismo e Geografia (Faeng) da UFMS,
começa com um mapeamento de alta resolução, no qual drones capturam imagens
detalhadas da lavoura para análise.
“Esse material é processado por uma arquitetura de deep
learning proprietária, treinada com base em centenas de artigos científicos”,
acrescenta.
No caso da cana-de-açúcar, a partir da leitura inteligente,
o algoritmo identifica o local exato, com precisão centimétrica, onde a máquina
agrícola deve entrar, seja para fazer o plantio ou a colheita. Isso evita que
haja o pisoteio e, consequentemente, favorece a produtividade do canavial.
Quando se trata da soja, a finalidade é outra: identificar
plantas daninhas invasoras. A tecnologia delimita as áreas infestadas,
viabilizando a aplicação localizada de herbicidas. “A precisão é de cerca de
98%. E, na comparação com o método tradicional, que pulveriza áreas onde não há
pragas, o nosso gera uma economia de insumos de até 82%, e ainda garante uma
produção mais sustentável”, salienta Marcato Junior.
Ele conta que a criação da solução começou em 2018, mas não
focada no agro. “Desenvolvemos arquiteturas próprias de inteligência artificial
para diferentes cenários. Por exemplo, mapear queimadas no Pantanal e árvores
no contexto urbano”, diz.
E continua: “No final de 2022, a Raízen nos procurou para
resolvermos uma demanda urgente, que era mapear falhas e linhas de plantio em
60.000 hectares em poucos dias. Outras empresas realizavam esse serviço, só que
a entrega era muito demorada. Fizemos, então, adaptações no nossos sistemas de
IA e conseguimos fazer o mapeamento solicitado em menos de 24 horas”.
A partir desse trabalho, começaram a surgir outros, e o
processo, que até então era acadêmico, se tornou profissional, resultando na
formação da agtech GeoIA.
“A empresa que surgiu na UFMS começou a crescer com muita
intuição e feeling de produtos, mas sem estruturação de negócio. Foi em 2023
que tudo mudou. Hoje, como GeoIA, temos como clientes oito das 10 maiores
usinas do Brasil do setor sucroenergético, e estamos em conversas com
operadores americanos”, relata Pedro Cavalcante, CEO da startup.
Segundo o executivo, a GeoIA faturou R$ 4,5 milhões em 2025 e, este ano, pretende chegar a R$ 8 milhões. “Nossa meta é escalar a empresa e, agora, mudamos nosso posicionamento, nos colocando como uma solução genérica de visão computacional para o agronegócio”, aponta.
Ele finaliza: “Nos consideramos como a OpenAI do agro, que mira na sustentabilidade financeira e ambiental dos negócios rurais”.
Por Renata Turbiani















1 Comentários
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