Recuperações judiciais no agro podem bater recorde
O setor agropecuário tem se mostrado entre os mais pressionados pela atual conjuntura; tendência pode se acentuar diante do tarifaço dos Estados Unidos O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu o maior patamar no 1º semestre de 2025. Segundo o Monitor RGF, ao fim do 2º trimestre havia 4.965 companhias em processo ativo, o que representa um crescimento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O setor agropecuário tem se mostrado entre os mais pressionados pela atual conjuntura. Dados oficiais da Serasa Experian mostram que, no 1º trimestre de 2025, foram registrados 389 pedidos de recuperação judicial ligados ao agro, um aumento de 44,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Foram 195 pedidos de produtores pessoa física, alta de 83,9% em relação ao 1º trimestre de 2024; 113 pedidos de produtores pessoa jurídica, crescimento de 31% na mesma base de comparação; 81 pedidos de empresas da cadeia agroindustrial, aumento de 5,1% frente a 2024.
Sanções externas ampliam o risco A tendência pode se acentuar diante do chamado tarifaço dos Estados Unidos, que prevê sobretaxas de até 50% em importações brasileiras, além de possíveis medidas financeiras adicionais. Analistas avaliam que o movimento cria novos riscos para exportadores, encarecendo custos logísticos e reduzindo margens de empresas ligadas à soja, carnes e açúcar.
Para o advogado Antônio Frange Júnior, especialista em recuperação judicial, a situação exige planejamento estratégico antecipado: “A recuperação judicial não é um sinal de fragilidade, mas sim uma ferramenta moderna de gestão de crise. Em setores dependentes do mercado externo, como o agro, ela garante condições de reorganização financeira sem comprometer ativos produtivos”, avaliou. Segundo ele, é cada vez mais comum que produtores busquem a medida de forma preventiva: “O cenário atual combina juros elevados, restrição de crédito e instabilidade internacional. Empresas que atuam no agro precisam avaliar cedo alternativas de reestruturação, para preservar empregos e manter a continuidade da cadeia produtiva”, acrescentou Frange.















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