Mesmo diante de tentativas da indústria de derrubar as cotações, oferta restrita de animais prontos para abate e pastagens em boas condições sustentam a estabilidade da arroba do boi gordo em diversas regiões do Brasil. O mercado do boi gordo vive um momento de disputa silenciosa entre frigoríficos e pecuaristas, com reflexos diretos nas negociações nas principais praças pecuárias do país.

De um lado, a indústria tenta pressionar os preços para baixo, influenciada por fatores externos e pela queda sazonal do consumo interno de carne bovina. Do outro, produtores seguram a venda de animais prontos para abate, apoiados na boa condição das pastagens e na oferta mais restrita de boiadas, o que tem impedido uma queda mais significativa nas cotações.

Nesta semana, apesar da tentativa da indústria de reduzir os valores pagos pela arroba, o mercado se manteve estável nas principais regiões pecuárias do Brasil, segundo levantamento da consultoria Agrifatto. A análise aponta que o equilíbrio atual resulta principalmente da postura firme dos pecuaristas, que não demonstram pressa para negociar os lotes disponíveis.


Conflito internacional e consumo interno pressionam o mercado do boi gordo

Entre os fatores que influenciam a pressão exercida pelos frigoríficos está o cenário internacional. O conflito no Oriente Médio tem elevado a volatilidade nos mercados globais, impactando o custo de energia e logística, o que acaba refletindo também no setor de proteínas.

Ao mesmo tempo, o mercado interno enfrenta um período tradicional de enfraquecimento da demanda. Isso ocorre porque o consumo de carne bovina costuma perder força na segunda quinzena do mês, quando boa parte dos salários recebidos no início do período já foi utilizada pelas famílias brasileiras.

Essa combinação de fatores leva a indústria frigorífica a tentar negociar valores mais baixos pela arroba, numa estratégia para preservar margens de operação. No entanto, segundo analistas do mercado pecuário, essas tentativas têm encontrado resistência no campo, principalmente porque a oferta de animais prontos para abate segue relativamente limitada.

Preço da arroba segue firme em importantes praças

No Mato Grosso do Sul, o mês de março teve variação de preços de R$ 329 e R$ 333,50/@ à vista .

Mesmo com a pressão da indústria, as cotações do boi gordo continuam firmes em várias regiões. No estado de São Paulo, principal referência nacional para o mercado pecuário, o boi gordo segue cotado em torno de R$ 350 por arroba no prazo, segundo dados de mercado.

Considerando as 17 principais praças pecuárias monitoradas por analistas, a média nacional da arroba está em aproximadamente R$ 328,80, reforçando o cenário de estabilidade nas negociações. Já os preços do chamado “boi-China” — animais que atendem aos requisitos de exportação para o mercado chinês — também permanecem sustentados, refletindo a importância das exportações para o equilíbrio do setor.


0 Comentários

Deixar um comentário

Não se preocupe! Seu email não sera publicado. Campos obrigatórios estão marcados com (*).