Chuvas irregulares prejudicou soja no MS
O acompanhamento técnico realizado pela Aprosoja/MS, por meio do Projeto SIGA-MS, aponta que as lavouras de soja em Mato Grosso do Sul apresentam, de forma geral, condições majoritariamente boas, mas com variações significativas entre as regiões em razão da irregularidade das chuvas e das altas temperaturas registradas em janeiro e fevereiro.
Após um cenário considerado positivo em dezembro de 2025, quando mais de 75% das lavouras estavam em boas condições, o quadro climático se agravou no início deste ano. “Após um cenário considerado positivo em dezembro de 2025, quando mais de 75% das lavouras apresentavam boas condições, janeiro e fevereiro registraram agravamento no quadro climático. A estiagem associada às temperaturas elevadas comprometeu o desenvolvimento das plantas, sobretudo na região sul do Estado”, afirmou o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena.
Levantamentos de campo indicam que mais de 640 mil hectares foram impactados por períodos superiores a 20 dias sem chuvas em determinadas localidades. Municípios como Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai estão entre os mais afetados.
Na região norte, 86,3% das áreas são classificadas como boas, enquanto 6,7% são regulares e 7% enfrentam problemas relacionados à textura arenosa do solo, estiagem e pragas. Já nas regiões nordeste, sudoeste e centro, as áreas em boas condições variam entre 61,9% e 69,5%. O cenário é mais desafiador nas regiões oeste, sul, sul-fronteira e sudeste, onde as áreas ruins podem atingir até 18,3%.
Os dados de precipitação reforçam o impacto climático. Em janeiro de 2026, 59 dos 63 pontos monitorados registraram volumes abaixo da média histórica. O Índice Padronizado de Precipitação também aponta intensificação das condições de seca, especialmente nas regiões pantaneira e nordeste.
Colheita avança, mas em ritmo menor
Mesmo com os desafios, a colheita da soja alcançou 43,9% da área acompanhada até 27 de fevereiro, o que representa cerca de 2,104 milhões de hectares. A região sul lidera o avanço, com 53,2% da área colhida, seguida pela região centro (31,8%) e norte (24,7%).
Em comparação com a safra 2024/2025, o ritmo está 6,6 pontos percentuais abaixo no mesmo período.
Milho segunda safra
O plantio do milho segunda safra 2025/2026 atingiu 45,8% da área monitorada, totalizando aproximadamente 1,010 milhão de hectares semeados até 27 de fevereiro. A região sul lidera com 48%, seguida pela norte (42,9%) e centro (39,8%). Em relação ao mesmo período do ciclo anterior, o plantio está 1,3 ponto percentual à frente.
“Nesta safra, o milho deve ocupar aproximadamente 46% da área destinada à soja no Estado, percentual inferior aos 75% já registrados em anos anteriores. A tendência é de que o cereal seja priorizado em áreas com menor risco climático. Nas demais, produtores devem optar por culturas alternativas de segunda safra, como sorgo, milheto e pastagens”, explicou Flavio Aguena.















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