O escoamento lento da carne bovina no mercado interno e o maior conforto nas escalas de abate dos frigoríficos resultaram em mais um dia de estabilidade dos preços do boi gordo nesta quinta-feira, 20 de maio.

 

Segundo dados apurados pela Scot Consultoria, nas praças paulistas, o animal macho terminado está cotado em R$ 306/@, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas em R$ 283/@ e R$ 298/@, respectivamente, preços brutos e a prazo.

“O mercado do boi gordo começa a apresentar evidências de nova consolidação de movimento de alta, uma vez que a entrada do período seco não forneceu a oferta esperada de animais terminados a pasto”, afirma a IHS Markit, referindo-se à tradicional desova de boiadas após o encerramento da estação chuvosa.

 

Na outra ponta da cadeia, continua a IHS, o consumo doméstico de carne bovina segue fraco, o que justifica a grande morosidade no mercado pecuário.

 

Segundo a consultoria, as indústrias adquiriram animais com maior cautela ao longo da semana, observando atentamente a dificuldade de escoamento enfrentada pelos varejistas. “As escalas de abate permitem tal ação, pois ficam atualmente entre 5 e 7 dias”, observa a IHS.

 

Há relatos de restrição de ofertas de boiadas principalmente no Sudeste e Centro-Oeste, bem no momento que se espera uma maior procura por gado gordo, depois que o governo argentino vetou os embarques nacionais de carne bovina, em uma tentativa para conter a inflação no país vizinho.

 

Na avaliação dos analistas, tais restrições impostas pelo governo argentino devem impulsionar a demanda chinesa por carne brasileira.

 

O Brasil é responsável hoje 43% das importações de carne bovina da China, fatia que pode alcançar níveis acima de 50% no atual cenário, conforme prevê a IHS.

 

Os pecuaristas de pequeno e médio porte seguem tentando adentrar o sistema de recria, como meio de sobreviver ao cenário atual.

 

Preços futuros sobem – Ao longo desta semana, foram observados significativos aumentos nos valores futuros da arroba negociados na B3, que superaram a casa dos R$ 340 (contrato com vencimento em outubro/21).

 

Nesse cenário, existem boas expectativas com relação aos preços do boi gordo para o segundo semestre, prevê a IHS.

 

O avanço da vacina contra a Covid-19 também pode enfraquecer as medidas de isolamento social, motivando o aumento de consumo da carne bovina fora dos lares (em restaurantes, lanchonetes, bares, entres outros pontos tradicionais de comércio da proteína).

 

No atacado, carne segue estável – No mercado atacadista, os preços dos principais cortes bovinos, assim como do couro e sebo, industrial permaneceram estáveis nesta quinta-feira, com exceção do corte de dianteiro bovino, que registrou redução de R$ 0,50.

 

No entanto, por conta do adiantamento do auxílio emergencial, varejistas esperam uma maior procura pela carne bovina nesta última semana do mês, possibilitando a reposição do estoque e maior suporte aos preços.

Cotações desta quinta-feira, 2o de maio, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

 

boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 292/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 297/@ (à vista)
vaca a R$ 285@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 285/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 301/@ (prazo)
vaca a R$ 290/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 302/@ (prazo)
vaca a R$ 290/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 299/@ (prazo)
vaca a R$ 286/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 298/@ (à vista)
vaca a R$ 285/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 298/@ (à vista)
vaca a R$ 285/@ (à vista)

 

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