O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza, nesta manhã, um rito inédito que poderá definir a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no âmbito do caso envolvendo o Banco Master.

Conforme as normas do STF, haverá possibilidade de sustentações orais, o que permitirá a manifestação de Moraes. Mendonça também poderá pedir a palavra, já que era o relator original do caso.

Entre os documentos que serão apresentados durante o rito está o relatório da Polícia Federal que reúne mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro para Moraes. Os diálogos indicam que o empresário pediu auxílio ao ministro em sua defesa e chegou a perguntar, na antevéspera de sua prisão, se deveria deixar o país.

“Após a abertura dos trabalhos, será feita a leitura e a aprovação da ata da sessão anterior, seguida da saudação de praxe aos ministros”, diz a nota do STF.

Na sequência, será feita a leitura do relatório e a delimitação do tema da votação. A etapa ficará a cargo do presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que assumiu, neste fim de semana, a relatoria do processo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também poderá se manifestar durante a sessão. Em despacho recente, o chefe do órgão, Paulo Gonet, defendeu a nulidade do relatório da PF, no qual ele próprio é citado.

Gonet, que também está envolvido no caso Master, conversava com Vorcaro por meio de um intermediário, o advogado Ciro Soares, e chegou a falar por telefone com o banqueiro, que o convidou para uma degustação de uísque e charutos em Londres.

Após o pronunciamento da PGR, será aberta a possibilidade de sustentações orais e, em seguida, o relator apresentará seu voto.

Embora as investigações do caso tenham sido inicialmente conduzidas pelo ministro André Mendonça no STF, o presidente do Tribunal, Edson Fachin, assumiu a relatoria na última semana, em meio a uma disputa envolvendo liminares e ofícios, na qual Moraes acusou o colega de parcialidade.

Após o voto do relator, os demais ministros poderão apresentar seus votos ou até mesmo adiar o julgamento por meio de pedido de vista.


Celulares serão lacrados durante a sessão

Conforme as normas do rito, que começa às 9h (de MS), o STF informou a jornalistas e convidados que os celulares serão recolhidos na entrada do Tribunal.

Segundo informações de bastidores, esta é a segunda vez que a Corte adota a medida. A primeira ocorreu durante o julgamento do núcleo 2 da trama golpista, em 22 de abril de 2025.

Quem entrar no plenário com o aparelho deverá mantê-lo lacrado e desligado dentro de uma sacola de segurança. Também será necessário passar por uma “inspeção de segurança”, com detectores de metais e equipamentos de raio-X.

Desta vez, jornalistas não poderão acompanhar o julgamento diretamente do plenário. Eles ficarão restritos ao comitê de imprensa e à marquise do Tribunal, onde haverá transmissão da sessão. O acesso estará liberado “somente às pessoas que tiveram a presença confirmada pelo Cerimonial do STF”.

A sessão terá transmissão ao vivo pela TV Justiça e pela internet.

Sessão Extraordinária - 15/9/2026

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