Interrupção nas exportações de nitrogenados pelos maiores fornecedores de fertilizantes do Brasil ocorre em meio a tensão global e expõe forte dependência externa do Brasil, elevando o risco de alta nos custos de produção.

A cadeia produtiva do agronegócio brasileiro entrou em estado de alerta após a decisão de dois dos maiores fornecedores de fertilizantes do mundo — Rússia e China — de restringirem suas exportações.

A medida ocorre em um momento sensível para o mercado global e pode encarecer a próxima safra brasileira, pressionando ainda mais os custos do produtor rural.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional e veículos especializados, a Rússia suspendeu temporariamente as exportações de nitrato de amônio, enquanto a China restringiu as vendas de ureia, dois insumos fundamentais para a agricultura.


Rússia pausa exportações e prioriza mercado interno

A Rússia, que responde por cerca de 25,9% dos fertilizantes importados pelo Brasil, decidiu interromper as exportações de nitrato de amônio por um mês, com o objetivo de garantir o abastecimento interno durante o período de plantio. Além disso, o país controla até 40% do comércio global desse insumo, o que amplifica o impacto da decisão no mercado internacional.

A medida ocorre em meio a uma crise de oferta global, agravada por fatores geopolíticos, como a tensão no Oriente Médio e problemas logísticos no Estreito de Ormuz — rota estratégica para fertilizantes nitrogenados.

Outro fator que pesa é o impacto direto na produção russa: ataques recentes atingiram estruturas industriais importantes, reduzindo a capacidade produtiva no curto prazo.


China segue estratégia semelhante e amplia pressão

Paralelamente, a China também restringiu suas exportações de ureia, priorizando o abastecimento interno. Essa estratégia não é inédita, mas ganha relevância neste momento devido ao cenário global mais apertado.


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