O agronegócio deve crescer 1,5% em 2020 e 1,2% no ano que vem.
A projeção é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), que reviu para baixo suas previsões. Na análise anterior, feita no mês
passado, o instituto estimou crescimento de 1,9% e 2% para este ano e para
2021, respectivamente. Os novos números estão descritos na Carta de Conjuntura
Agro publicada nesta semana.
A redução do crescimento guarda relação com a queda de estimativa de produção de trigo, café e cana-de-açúcar.
A produção de carne bovina deve sofrer retração de 5,5%. Também há expectativa de decréscimo para produtos da exploração florestal e da silvicultura, da pesca e da aquicultura, para produção de peixe, crustáceos e moluscos.
As safras recordes de soja (alta de 4,6%) e milho (crescimento 2,6%) reduzirão o impacto negativo das lavouras em baixa, da pecuária de corte e de outros produtos.
As previsões do Ipea são baseadas no prognóstico da produção
agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas
projeções de safra da lavoura da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e
da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea,
José Ronaldo Souza Jr, assinala que o agronegócio manterá o “nível muito acima”
de crescimento na comparação com outros setores de atividade econômica. Ele acrescentou
que os possíveis resultados “não necessariamente irão induzir uma piora na
economia”. Segundo o especialista, as reduções de produção, por exemplo, “não
significam queda da atividade industrial ligada ao agro.”
Souza Jr admite que a redução da oferta de produtos
agropecuários e, especialmente, a depreciação do real poderão manter o preço
dos alimentos em alta neste fim de ano e em 2021. “A taxa de câmbio tem papel
muito importante na formação de preços”, explica, citando que o dólar em alta
tende a favorecer a exportação de produtos e pressionar os preços no mercado
interno.
Conforme descrito em nota do Ipea, “as exportações brasileiras registraram crescimento de 6% de janeiro a outubro de 2020 na comparação com o mesmo período de 2019, impulsionadas pelo açúcar (63%) e carne suína (49%), soja (21%), algodão (21%) e carne bovina (20%).” IPEA















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