Boiada gorda encerou a ultima semana em queda
Na ultima sexta-feira, 23 de abril, o mercado brasileiro do boi gordo apresentou novos movimentos de baixa nos preços da arroba em algumas praças do País, refletindo principalmente a menor demanda dos frigoríficos.
Nas praças de São Paulo, os compradores abriram a
sexta-feira pagando valores mais baixos pela arroba do boi e da novilha.
O boi gordo comum registrou queda de R$ 1/@, na comparação
com o valor do dia anterior, para R$ 313/@ (preço bruto e a prazo), segundo
dados da Scot Consultoria. O valor da novilha sofreu baixa diária de R$ 2/@,
agora apregoada em R$ 304/@ (nas mesmas condições de pagamento), em São Paulo.
Bovinos com padrão-exportação (abatidos mais jovens) estão
sendo negociados em R$ 320/@, preço bruto e à vista.
“Sazonalmente, o último dia da semana apresenta pouca
liquidez de negócios”, avalia a IHS Markit.
Além disso, continua a consultoria, as indústrias trabalham
hoje com escalas de abate mais confortáveis, depois que, ao longo de toda a
semana, conseguiram aproveitar melhor o avanço de oferta de boiadas gordas,
motivado pelo início do período de seca em muitas regiões pecuárias.
As unidades de abates de diversas regiões do Brasil apontam
escalas de abate entre 6 e 11 dias, informa a IHS.
Atualmente, há também no mercado brasileiro uma disputa
menos acirrada das indústrias frigoríficas pela matéria-prima (boiada gorda),
devido ao fechamento temporário de algumas unidades de abate, depois de
problemas nas margens operacionais relatados pelos frigoríficos, que alegam prejuízos gerados pelos avanços
nos preços do boi gordo e, ao mesmo tempo, pelo baixo escoamento da carne
bovina no mercado interno, altamente afetado pela pandemia de Covid-19 e pela
crise econômica no País.
“Apesar do maior fôlego da indústria frigorífica, os relatos
de margens negativas, decorrentes da mínima utilização da capacidade de abate,
ainda persistem”, relata a IHS.
Ainda há possibilidade de novas paralisações de plantas,
principalmente no Sul do País, que enfrenta maior morosidade de negócios,
acrescenta a consultoria. “O momento enfrentando pelo setor industrial é
altamente desafiador”, reforça a IHS.
Problemas dentro da porteira – Os pecuaristas, que desde o
início do ano tinham controle sobre as suas vendas de boiadas, por conta das
condições de pastagens ideais para terminação de animais, agora não conseguem
mais segurar os animais no pasto, ressalta a IHS.
A deterioração das pastagens, decorrente da escassez de
chuvas e do frio, obrigam a terminação de animais em confinamento. No entanto,
relata a IHS, os altos custos da nutrição não permitem a operação de engorda no
cocho para muitos dos produtores do País.
“Hoje, muitos pecuaristas que pretendiam vender o boi gordo
acabam se desfazendo de lotes de animais ainda não terminadas devido aos custos
recordes de nutrição, que inviabilizam o confinamento”, reforça a IHS.
Os boiteis e confinadores de grande porte, além e
pecuaristas que trabalham com integração lavoura-pecuária, aproveitam dessa
situação de desespero dos produtores, e elevam cada vez mais os seus estoques
de animais para atividade de recria/engorda.
“Nesse cenário, verificamos retrações nos valores da arroba
bovina, embora isso ainda não signifique uma tendência consolidada”, observa a
IHS.
O mercado brasileiro fecha uma semana com maior fluidez nos
negócios, mas que não seria concretizada caso o uso de capacidade instalado
fosse maior por parte das plantas frigoríficas, pondera a consultoria.
Embarques aquecidos – As exportações brasileiras de carne
bovina seguem em ritmo forte. O volume médio embarcado de carne bovina in
natura nos primeiros 11 dias úteis deste de abril foi de 6,77 mil t/ dia,
representando um incremento de 16,5% em relação à média de abril/20, e de 13,6%
quando comparado ao volume de março/21.
“Os persistentes problemas sanitários enfrentados por
diversos países ao redor do mundo seguem favorecendo as exportações de carne
bovina brasileira”, relata a IHS.
No atacado, mais um dia de estabilidade – No mercado
atacadista, os preços dos principais cortes bovinos apresentaram estabilidade
nesta sexta-feira, assim como os valores do couro e do sebo industrial, informa
a IHS.
A procura por reposição entre atacado a varejo não atendeu
às expectativas da semana e permaneceu abaixo da média, observa a consultoria.
A preferência dos consumidores segue maior por cortes
dianteiros e ponta de agulha, porém há uma forte demanda por outras proteínas,
mas baratas nas gôndolas do mercado varejista.
Ao longo da próxima semana, com a reabertura de bares e
restaurantes no Estado de São Paulo, há possibilidade de recuperação das vendas
internas de proteína vermelha, antecipa a IHS.
Cotações desta sexta-feira, 23 de abril, segundo dados da
IHS Markit:
SP-Noroeste:
boi a R$ 317/@ (prazo)
vaca a R$ 301/@ (prazo)
MS-Dourados:
boi a R$ 301/@ (à vista)
vaca a R$ 288@ (à vista)
MS-C. Grande:
boi a R$ 302/@ (prazo)
vaca a R$ 290/@ (prazo)
MS-Três Lagoas:
boi a R$ 302/@ (prazo)
vaca a R$ 290/@ (prazo)
MT-Cáceres:
boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 294/@ (prazo)
MT-Tangará:
boi a R$ 304/@ (prazo)
vaca a R$ 293/@ (prazo)
MT-B. Garças:
boi a R$ 306/@ (prazo)
vaca a R$ 2953/@ (prazo)
MT-Cuiabá:
boi a R$ 309/@ (à vista)
vaca a R$ 291/@ (à vista)















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